A cidade de Imperatriz (MA) se tornou palco de uma exposição internacional que une arte, biodiversidade e conscientização ambiental. Desde agosto, o Centro Cultural Tatajuba abriga a mostra “Jaguar Parade – Conexão Amazônia”, que apresenta esculturas de onças-pintadas personalizadas por artistas locais, conectando o Maranhão à rede global de iniciativas em defesa da Amazônia.
A mostra, que integra as ações preparatórias para a COP30, em Belém, surgiu da parceria entre o Instituto Tatajuba, o projeto Arte em Cores e a Artery Global, empresa internacional responsável pela Jaguar Parade em cidades como São Paulo, Londres, Nova York e Paris. Em Imperatriz, 17 artistas foram convidados a criar miniaturas inspiradas no bioma amazônico. Dentre eles, Vitória Elen, mais conhecida por seu nome artístico, Flor de Maracujá, foi uma das selecionadas para pintar uma onça em tamanho real, que será exibida na conferência mundial sobre o clima.
“Quando o território é ferido, a onça sente na pele. Se a floresta queima, é a onça que arde”, conta Vitória, que batizou sua obra de “Pindorama: Corpo-Território”. A escultura traz rios e estradas cortando o corpo do animal, uma metáfora para o conflito entre o fluxo natural da vida e as marcas humanas que degradam a floresta. “Quis mostrar que quando a Amazônia sofre, nós também sofremos. É uma forma de dizer isso sem palavras, com cor, com símbolo”, completa.
A exposição é aberta ao público, com entrada gratuita, e segue em cartaz no Centro Cultural Tatajuba, na Avenida Getúlio Vargas, reunindo visitantes, escolas e amantes da arte.

A arte como ferramenta de preservação
A Jaguar Parade nasceu com o propósito de aproximar o público da causa ambiental por meio da arte urbana. O projeto internacional exibe esculturas de onças-pintadas decoradas por artistas locais em espaços públicos, convidando as pessoas a refletirem sobre a convivência entre humanos e natureza.
Criada originalmente no Brasil, a Jaguar Parade já percorreu São Paulo, Nova York, Londres e Miami, sempre com o mesmo propósito: celebrar a beleza da onça-pintada e alertar para sua ameaça de extinção. As obras, após a exposição, costumam ser leiloadas, e parte dos recursos é destinada a projetos de conservação da fauna e recuperação de áreas degradadas.
Em Imperatriz, a ação ganha um significado ainda mais simbólico: é a primeira edição da Jaguar Parade no Maranhão, integrando arte e sustentabilidade na chamada “porta de entrada da Amazônia”. Para a fundadora do Instituto Tatajuba, Solanda Steckelberg, o projeto “é um convite à reflexão sobre o futuro que queremos construir”.
A artista Flor de Maracujá [Vitória Elen] reforça esse papel da arte como ponte entre mundos: “Enquanto pinto, as pessoas se aproximam, perguntam, conversam. É um espaço de troca. A arte desperta aquilo que o dado, o gráfico, às vezes não consegue: o sentimento.”

Onça em risco de extinção
Símbolo de força desde as culturas pré-colombianas, a onça-pintada (Panthera onca) ocupa o topo da cadeia alimentar e tem papel essencial no equilíbrio ecológico. No entanto, segundo o Plano de Ação Nacional para Conservação da Onça-Pintada (ICMBio), sua área de ocorrência atual corresponde a apenas metade do território original. A destruição de florestas, a fragmentação dos habitats e a caça ilegal colocam a espécie em risco real de desaparecer de diversos biomas brasileiros.
O documento elaborado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade alerta que as populações de onças sofreram reduções drásticas na Mata Atlântica e na Caatinga, onde a espécie já é considerada criticamente ameaçada. Mesmo na Amazônia, onde ainda há populações mais numerosas, o desmatamento e a abertura de estradas vêm isolando os grupos e comprometendo a reprodução da espécie.
De acordo com o guia internacional sobre felinos selvagens Living with Jaguars, a onça-pintada perdeu mais de 50% de seu habitat natural nas Américas e enfrenta ameaças crescentes devido à expansão agropecuária e ao tráfico de animais. O Brasil, que abriga as maiores populações do mundo, é apontado como chave para a sobrevivência global da espécie.

O Plano Nacional propõe uma série de ações integradas para reverter esse cenário: proteção de áreas estratégicas, criação de corredores ecológicos, educação ambiental e incentivo à convivência entre comunidades e fauna. A iniciativa também defende o fortalecimento das políticas públicas e da pesquisa científica como pilares para garantir a permanência do maior felino das Américas nas florestas brasileiras.
A sobrevivência da onça representa o equilíbrio de todo um ecossistema e a Jaguar Parade, bem como as obras expostas, transformam essa luta em uma experiência estética e emocional, onde cada escultura é uma floresta viva, um lembrete de que preservar é, também, um ato de humanidade.
Acadêmica do 7º período do curso de Jornalismo na Universidade Federal do Maranhão. Natural de Açailândia, me mudei para a cidade de Imperatriz para cursar a faculdade e, com o passar do tempo, fui me encontrando e me apaixonando pelo vasto mundo da comunicação. Tenho interesse especial em escrever sobre cultura e arte, pois acredito que a comunicação seja fundamental para conectar pessoas e transmitir ideias.








































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