Muito tem se falado sobre a Fernanda Torres, que é uma atriz, escritora e roteirista brasileira de grande versatilidade, reconhecida por sua força dramática e humor afiado, além de ser filha da lendária Fernanda Montenegro. Com mais de 45 anos de carreira, ela transita com naturalidade entre teatro, cinema, televisão e literatura, conquistando prêmios internacionais como o Globo de Ouro e indicações ao Oscar. Hoje, eu não vim para falar sobre os filmes e peças que essa artista multifacetada já fez, estreou, dirigiu, vou escrever sobre o livro Fim que, inclusive virou série, mas que também ganhou o Prêmio Jabuti em 2018 e, nada melhor que falar sobre o “fim” nesse começo de ano né!?!
E já adianto: essa é uma daquelas leituras que provoca reflexão sobre o que realmente importa.
Fim, vai contar a história de cinco amigos cariocas, além de falar sobre a história de vida deles, o enredo principal é – e aí alerta de spoiler -, o fim da vida deles, os personagens são pessoas escritas de forma tão reais que é impossível em alguns momentos você não se vê sorrindo, chorando e até com raiva de tanta burrada que eles fazem, você passa a ter contato com a família desses personagens e também algumas pessoas que apareceram no fim da vida deles, mas que tem total conexão com o passado de cada um. O livro mostra personagens que, ao encarar a morte, percebem o peso das decisões não tomadas e dos sonhos adiados, há uma ironia constante: aquilo que parecia importante em vida se revela pequeno diante da finitude, o tom é desencantado, mas também humano: somos todos frágeis, e o fim é inevitável.
Fim é um espelho tardio das metas de ano novo. Enquanto as resoluções são o desejo de começar, o romance mostra o que acontece quando não começamos — quando deixamos que os anos passem sem cumprir aquilo que prometemos a nós mesmos. É um retrato mordaz e comovente da vida vista pelo seu desfecho.

Graduada em Serviço Social pela UNISULMA e faço parte do Clube de Livros Mulheres em Prosa que é um grupo de leitura de mulheres que leem mulheres e que se reúnem uma vez a cada dois meses para debater uma obra de autoria feminina. Nessa coluna, pretendo compartilhar com vocês sobre as leituras que já fiz e quais as percepções que elas me trouxeram. Uma frase que gosto muito é da Rosa Luxemburgo que diz o seguinte: ”Quem não se movimenta não sente as correntes que o prendem”.



