A Junina Arrasta Pé foi consagrada campeã do Arraiá da Mira 2025 na noite do dia 15 de junho, no maior festival de quadrilhas juninas do Maranhão, com um espetáculo carregado de emoção, fé e identidade nordestina. Inspirado no livro A Cabeça do Santo, da escritora cearense Socorro Acioli, o grupo levou ao tablado uma releitura literária que encantou o público e o júri.
A ideia da adaptação partiu do projetista do espetáculo, Victor Sabbag, após receber o livro como presente de uma fã da junina. “Vi que poderia ser uma boa obra adaptada ao São João. A obra fala sobre as raízes nordestinas e se tornou nosso novo espetáculo”, explica. A história gira em torno de Samuel, um jovem que passa a ouvir as preces de mulheres devotas ao se abrigar dentro da cabeça oca de uma estátua de Santo Antônio.

Todo o conceito visual foi construído a partir da narrativa da obra. “Criamos a cidade de Candeias descrita no livro. Ele foi o norte para a construção de toda a parte artística do espetáculo”, afirma Sabbag. O cenário, figurino e coreografias foram pensados para representar a religiosidade popular, o sofrimento e a esperança do povo nordestino.
Apesar do resultado como campeã, o grupo enfrentou desafios para colocar o espetáculo de pé. Segundo Victor, a questão financeira foi o principal obstáculo. “Pouco recurso, porém muitas ideias. A gente teve que se adaptar ao que tinha em mãos”, revela. Até uma semana antes da estreia, a quadrilha ainda não tinha o figurino finalizado.
A quadrilha contou com apoio das leis de incentivo estaduais e federais, além de ter se inscrito em editais culturais. “Nos inscrevemos e ficamos aguardando os resultados para, só depois, buscar empresas que quisessem apoiar o projeto”, explica o projetista do espetáculo. O processo, segundo ele, é demorado e exige paciência, mas continua sendo um dos caminhos viáveis para garantir a realização do espetáculo.

Para Bianca Magalhães, que estreou como noiva da Arrasta Pé neste ano, o impacto emocional do espetáculo foi marcante. “O espetáculo A Cabeça do Santo, ele tem um emocional gritante, que realmente tira da gente o nosso melhor, a nossa essência. Eu falo até que nos aproxima da religiosidade, porque é um tema muito forte, ele deixa ali a nossa fé, a nossa devoção aos santos”.
Com 25 pessoas na produção e 58 casais em cena, a Arrasta Pé apostou na força coletiva para dar vida à adaptação. O espetáculo incorporou elementos simbólicos como procissões, retratos de família e pedidos de cura, reforçando a fé como tema central.
Bianca Magalhães também destaca a relação de afeto e acolhimento durante todo o processo. “A minha relação com o noivo, que é o Maik, e a equipe do teatro, eu não tenho nem o que falar. Foi a melhor, de verdade. A melhor sensação, o acolhimento, a forma que eles te abraçam. Então, assim, pra mim foi essencial pra mim viver esse novo momento, essa nova fase com a Junina Arrasta Pé”.
Mais do que um título, a apresentação da Arrasta Pé representa o reconhecimento de um trabalho feito com dedicação e coragem. “Foi um grito de vitória guardado por muitos anos”, define Victor Sabbag. Com a vitória, a junina será a representante do Maranhão no Festival de Quadrilhas Juninas da TV Globo Nordeste, marcado para os dias 28 e 29 de junho, em Goiana (PE), na Zona da Mata Norte; para cobrir os custos da viagem, os brincantes estão vendendo rifas no valor de 2 reais cada ponto. Compre com os brincantes ou entre em contato pelo direct @juninaarrastapé.

Sou Ana Maria Nascimento (ana.mcn@discente.ufma.br), estudante do 7° período do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), campus Imperatriz/MA. Gosto muito de escrever conteúdos culturais e acredito que o jornalismo se faz no encontro com o outro e na escuta que respeita.
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