Sofá: Entre Perguntas, Mudanças e Significados

Ela me perguntou se eu tinha um sofá e desligou o telefone. Eu não tinha, tampouco entendi a pergunta naquele momento. Ela tinha essa mania, perguntava sem esperar resposta, a resposta de fato não era importante.

Entendi com o tempo e com a vivência que ela não queria respostas, afinal, ela queria aguçar aquele assunto dentro de nós, não sem intenção, tudo tinha uma intenção, mas não era intencional ser daquele jeito.

A pergunta ficou na minha mente por dias. Eu não tinha um sofá. O que era a figura de um sofá, qual a funcionalidade do objeto na minha vida, no meu cotidiano? Até que eu me vi comprando um sofá sem saber o porquê. No fundo
eu queria calar a pergunta dentro de mim. Sim, eu tenho um sofá!

Quando ela entrou e deu de cara com o sofá, os seus olhos se perderam, por alguns minutos eu quis perguntar – e aí, gostou? Era o que você esperava?

– Mas acima de tudo: por que perguntar sobre o sofá? Mas não perguntei.
Ela virou para mim e falou com um sorriso:

– Você sabe o quanto é difícil se mudar com um sofá?
Eu não pensei naquilo… ela sabia que eu não havia pensado.

Então, como se uma luz abruptamente viesse de encontro a minha mente, eu
entendi. Ela me falou, ainda, e com o olhar perdido:

– Só se compra um sofá quando já não se tem mais vontade de se mudar.
E depois de um breve suspiro…

– Ou quando você gosta tanto dos que te visitam a ponto de não lhes oferecer o
chão. Era isso, então completei:

– Ou para dormir na sala, quando fizer calor.

Rauanne Goveia

Estou Advogada. Sou leitora. Faço pães e bordados. Acredito que a música deixa a vida mais bonita, que leitura é matéria de salvação e viver é bom e não há quem me prove o contrário.

Outras colunas

CARTA ABERTA

CARTA ABERTA AOS 30 ANOS DO ASSENTAMENTO CALIFÓRNIA (OU MANIFESTO COMUNITARISTA)

"O que não contam, nós assobiamos"

Todos os conteúdos de autoria editorial do Portal Assobiar podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que deem os devidos créditos.