O desafio de ‘Ser você mesmo’ nas empresas

De acordo com o site  PONTOTEL Diversidade, equidade e inclusão conferem ao ambiente de trabalho um clima organizacional saudável, promovendo respeito e acolhimento. Isso impacta positivamente tanto os colaboradores que já fazem parte da empresa quanto aqueles que estão em processo de recrutamento e seleção.  

Há algum tempo, enquanto trabalhava em uma empresa de pequeno porte na cidade de Imperatriz- MA, vivenciei uma situação triste e desconfortável que me marcou profundamente. Muitas vezes, não conseguir ser quem você gostaria dentro de uma organização [empresa] pode ser doloroso. Em outras ocasiões, a falta de clareza ou alinhamento nas regras da empresa pode criar momentos difíceis para quem está chegando.

Foi exatamente isso que aconteceu comigo. Descobri que a empresa seguia um padrão de estética muito rígido, valorizando características como pele clara, cabelos pretos ou loiros e corpos considerados “malhados” ou dentro de uma estética considerada “padrão”. No meu caso, eu estava, aparentemente, “compatível” com esses requisitos. Porém, o que eu não imaginava é que uma simples mudança no visual poderia quase custar meu emprego.

Meu cabelo era cacheado, longo, diferente do padrão liso predominante no ambiente. Certo dia, decidi mudar radicalmente e pintar meu cabelo de ruivo, uma escolha pessoal que refletia minha vontade de experimentar algo novo. Para mim, era apenas uma transformação estética, mas, para a empresa, foi motivo suficiente para gerar um desconforto e colocar minha permanência em risco.

Na época, minha função era Caixa [a moça que recebe os pagamentos]; meu espaço de trabalho era atrás do balcão, no fundo da loja. Quem era vendedora, ficava à frente ou no meio da loja. Porém, para o patrão e a gerente, eu deveria cumprir os mesmos requisitos estéticos dos demais colaboradores: Fui “desobediente”.

Certo dia, meu ex patrão chegou, e ao observar minha mudança – que já havia causado surpresa entre as vendedoras, todas seguindo rigidamente os padrões da empresa – ele me olhou, na frente de funcionárias e clientes, e perguntou:

– O que você fez neste cabelo?

Sem reação, respondi inocentemente:

– Pintei.

Sua resposta veio instantaneamente, carregada de desaprovação:

– Que coisa horrível que você fez! Isso está ridículo!

E saiu furioso. E todos que estavam presentes ficaram rindo e depois com piadas.

Aquele dia marcou minha vida de forma profunda, tanto no âmbito profissional quanto no pessoal. Foi doloroso perceber como pode ser difícil, e até revoltante, para alguns patrões aceitarem que você deseja apenas viver quem realmente é, sem se moldar a expectativas tão limitantes.

No dia seguinte, pediram para que eu mudasse a cor do meu cabelo, passando outra tinta por cima, para que eu não fosse desligada, já que o patrão não havia gostado. Eu não queria desafiar as autoridades da empresa, só queria ser a garota ruiva e continuar trabalhando normalmente. No entanto, decidi que não passaria outra tinta e que, com o tempo, a cor desbotaria naturalmente. E assim foi feito.

Esse fato nos leva a refletir que diversidade não se resume à inclusão das pessoas da comunidade LGBTQIAP+. A diversidade vai além disto. É sobre poder ser quem você é – até mesmo ter o cabelo da cor que você deseja sem que isso choque de forma negativa no ambiente de trabalho ou no lucro da empresa.

É compreensível que existam lugares com regras sobre adornos, modelos de calçados ou uniformes, mas a cor do cabelo? Isso não deveria ser uma questão.

Os microempreendedores têm muito a aprender com as grandes empresas, especialmente quando se trata de implementar práticas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI). Trabalhar DEI não deveria ser visto como algo exclusivo das grandes empresas. Pelo contrário, empresas de todos os tamanhos podem e devem adotar essas práticas, pois são valores universal que fortalece qualquer negócio, independentemente de sua dimensão.

Juliana Souza

Sou formada em Administração e atualmente pós-graduanda em Gestão de Pessoas e Desenvolvimento de Equipes, com foco em áreas essenciais como gestão de negócios, empreendedorismo e processos administrativos. Nesta coluna do Portal Assobiar, meu objetivo é compartilhar insights sobre como fortalecer equipes e tornar as organizações mais consistentes e eficientes. Além disso, estou cursando MBA em Gestão da Inovação, trazendo uma visão atualizada sobre inovação e competitividade no mundo empresarial, sempre priorizando a saúde mental e promovendo uma abordagem mais saudável e compassiva nas organizações.

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