A Hora da Estrela – Clarice Lispector

Clarice Lispector foi uma das mais importantes escritoras brasileiras do século XX. Nascida em 10 de dezembro de 1920, na Ucrânia, ela se mudou para o Brasil ainda criança com sua família, fugindo da perseguição aos judeus durante a Guerra Civil Russa. Naturalizada brasileira, Clarice se destacou por sua escrita inovadora e poética, explorando temas psicológicos e cenas cotidianas simples.

Uma dor de dente permanente e um som constante de um violino. É nesse clima que se desenvolve um dos livros mais lindos da literatura brasileira, onde uma Macabéa se torna cada vez mais Macabéa, sim você acertou (!) estou falando do livro A Hora da Estrela. Fazia anos que eu não lia Clarice, e esse livro foi sugerido para leitura de início de ano do clube de leituras que faço parte. O livro começa com uma narração bem reticente, de um escritor que sente a necessidade de contar essa história, mas esse escritor não sabe como começar e nem como encarar a crueza dos fatos. Macabéa é a moça que aos poucos vai sendo construída, uma mulher à margem da sociedade, sem corpo, sem beleza, de ovários murchos, que não enxerga seu futuro e nem se dá ao luxo de sofrer, ela é imperceptível, incapaz de falar de si própria. Sua alimentação é à base de cachorro quente e Coca-Cola.

A Hora da Estrela, é uma obra que traz à tona questões profundas sobre identidade, marginalização e a condição feminina. Às vésperas do mês de março, quando celebramos o Dia Internacional da Mulher, essa leitura se torna ainda mais pertinente. Março é um momento de refletir sobre as lutas, conquistas e desafios das mulheres ao longo da história. Embora o livro não trate diretamente dessa data, ele aborda temas relevantes. A protagonista, Macabéa, é uma mulher nordestina, pobre e marginalizada, cuja vida é marcada por invisibilidade e opressão. A obra faz uma crítica à sociedade patriarcal e às desigualdades sociais, temas que estão no centro das discussões do Dia Internacional da Mulher.

Andrelva Sousa

Graduada em Serviço Social pela UNISULMA e faço parte do Clube de Livros Mulheres em Prosa que é um grupo de leitura de mulheres que leem mulheres e que se reúnem uma vez a cada dois meses para debater uma obra de autoria feminina. Nessa coluna, pretendo compartilhar com vocês sobre as leituras que já fiz e quais as percepções que elas me trouxeram. Uma frase que gosto muito é da Rosa Luxemburgo que diz o seguinte: ”Quem não se movimenta não sente as correntes que o prendem”.

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