A maior mentira do Futebol Brasileiro? Acreditar na Seleção de hoje

1º de abril, popularmente conhecido como o ‘Dia da Mentira’. Uma data em que se espera ouvir histórias inventadas e piadas. Mas, para quem acompanhou o jogo entre Brasil e Argentina na terça-feira passada, 25/03, a única mentira foi acreditar que a seleção brasileira ainda está no caminho certo.

Fiquei acordado até meia-noite para ver o jogo, assim como a maioria dos brasileiros, e o que vi em campo foi bem diferente do que muitos imaginavam. O resultado expôs claramente o momento difícil que a seleção vive. Presenciei uma das maiores vergonhas desde o 7×1 contra a Alemanha, na Copa do Mundo de 2014. O jogo contra a Argentina foi completamente deprimente e refletiu bem o que a seleção tem mostrado nos últimos tempos.

Muitos torcedores estavam ansiosos para esse confronto, motivados pelas palavras de Raphinha em entrevista a Romário, na Romário TV. Durante a conversa, o ex-jogador perguntou:

“Jogar contra a Argentina, nosso maior rival, e agora, graças a Deus, sem o Messi. Porrada neles?”

Com confiança, Raphinha respondeu:

“Porrada neles, sem dúvida. Porrada neles.”

A declaração inflamou a torcida, que esperava um Brasil aguerrido, mas a realidade foi completamente oposta. Desde o primeiro minuto, os argentinos dominaram a partida, enquanto a seleção brasileira estava nitidamente abalada e perdida. Os jogadores erravam passes curtos, estavam mal posicionados e mostravam apatia em campo.

Nossos principais nomes, Rodrygo e Vini Jr., foram completamente anulados e praticamente não fizeram nada. O próprio Raphinha, que tanto falou antes do jogo, teve uma atuação irrelevante.

O gol de Matheus Cunha trouxe uma breve esperança de reação, mas foi em vão. Diferentemente do Brasil, a Argentina mostrou o porquê de ser a atual campeã mundial: apresentou jogadas ensaiadas, demonstrou raça e mostrou um time bem treinado por Scaloni. E tudo isso sem Lionel Messi, seu principal jogador.

Durante a partida, um sentimento inevitável tomou conta da torcida brasileira: a sensação de que o Brasil vive um dos seus piores momentos no futebol. A comparação com o 7×1 contra a Alemanha voltou à mente de muitos. Enquanto conversava com meu primo, soltei uma frase que resumia bem essa angústia:

“Tô com o pressentimento de que vai ser o próximo 7×1.”

Felizmente, graças aos deuses do futebol, a humilhação não foi ainda maior.

Esse jogo escancarou o que a maioria dos brasileiros já percebeu: Dorival Júnior não tem condições de comandar a seleção. Desde sua chegada, os resultados têm sido ruins, as convocações são questionáveis e o rendimento da equipe é baixíssimo. A troca de técnico precisa acontecer urgentemente, pois a Copa do Mundo de 2026 está logo ali.

Além disso, jogadores e a CBF precisam refletir sobre a falta de representatividade da seleção junto aos torcedores. Há anos, a empolgação com os jogos do Brasil vem diminuindo. As cenas clássicas de famílias reunidas para torcer, amigos organizando churrascos com a camisa da seleção, simplesmente não acontecem mais. A paixão pela seleção parece estar morrendo.

Um exemplo claro disso é minha avó, que nunca foi muito ligada ao futebol, mas sempre dizia:

“Não gosto de assistir futebol, só gosto de ver o nosso Brasil.”

Ou então:

“Alisson, quando tiver jogo do Brasil, tu me avisa.”

Esse sentimento foi completamente perdido. A magia da seleção desapareceu, resultado de atuações pífias e da falta de identificação dos torcedores com os jogadores.

Um episódio recente ilustra bem essa desconexão: diante das críticas da torcida pelos maus resultados, Endrick afirmou:

“Temos jogadores que poderiam estar de férias, mas vieram para cá porque era o sonho deles.”

A frase, que poderia soar como um sinal de compromisso, foi interpretada como um distanciamento da realidade do torcedor. Pareceu que os jogadores estavam fazendo um favor em vestir a camisa da seleção, gerando ainda mais indignação.

A seleção brasileira está em crise, e isso vai muito além dos maus resultados em campo. Falta identidade, falta garra, falta uma conexão real com o torcedor. Se a CBF não tomar providências imediatas, a tendência é que esse distanciamento só aumente.

Alisson Coelho

Alisson Coelho Silva (acoelho796@gmail.com). Estou no 7º período do curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), campus Imperatriz-MA. Desde 2024, sou estagiário no Portal Assobiar: produzo matérias com diversas temáticas e, dessa forma, contribuo para a ampliação de conteúdos e a cobertura jornalística da região.

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