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The Hater – Rede de ódio: uma leitura política da realidade

por César Figueiredo

Uma ótima sugestão de filme nesse período de isolamento social é assistir pelas plataformas o filme The Hater (2020), que na tradução literal seria O Odiador, mas que recebeu o título brasileiro de “Rede de Ódio”. Filme polonês do ano de 2020, brilhantemente dirigido por Jan Komasa. A produção consegue capturar o universo atual dos sites de ódios e manipulação de imagens – servindo com maestria para compreender os limites do mundo digital. Melhor dito, a falta de limite do universo virtual e, especialmente, as comparações que podem ser estabelecidas em qualquer país que se utilizam dessas redes.

Como fio condutor do filme temos o personagem do jovem Tomasz Giemsa, vivido por Maciej Musialowski, que em linhas gerais é apresentado como um estudante pobre financiado por uma família bem posta, fato este que gera ao personagem evidentes recalques sociais. Além de se sentir extremamente excluído do mundo da elite de Varsóvia (Polônia), para completar é expulso da universidade por plágio. Como estratégia para superar as dificuldades financeiras, se emprega numa empresa de marketing digital especializada em destruir imagens, chegando ao ápice no seu ofício quando começa a realizar trabalhos dentro do espectro político.

Através do filme, podemos ver muito claramente como se processa os denominados serviços do ódio em rede virtual no mundo político: fazendo disparos em massa contra candidatos, sabotando campanhas e mobilizando a opinião pública. Igualmente, pode ser visualizado na produção a forma que se conclama multidões de apoiadores para manifestações – marcando inclusive passeatas de rivais para o mesmo local e horário, justamente a fim de gerar agressões físicas. Ou seja, um simples computador acionado por mãos hábeis e mentes espertas podem gerar um grande prejuízo eleitoral, sobretudo, fomentando manipulação e estimulando crimes de ódio virtual como homofobia, xenofobia, misoginia, racismo, etc. O desfecho do filme é surpreendente, sendo costurado por um perfeito thriller político e com um final muito “feliz” para o personagem principal.

Não obstante, o final do filme traz inúmeros questionamentos para a sociedade em que vivemos nesse momento, especialmente, para as novas formas de fazer campanha política – tão diferente das antigas e desgastadas fórmulas: comício, boca de urna, corpo a corpo, plataforma eleitoral, etc. Em síntese, parece ser extremamente fácil efetivar uma campanha política com sucesso e com vitórias reais nas urnas, bastando um bom gabinete do ódio. No mundo real a prova desse sucesso pode ser demonstrada pelas diversas aberrações políticas que foram eleitas e, supreendentemente, estão ocupando cargos em todos os escalões de governo ao redor do mundo, logo, neste filme a arte apenas reproduziu a realidade.  

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