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O “Bê a Bá” do Feminismo para às Iniciantes e Veteranas

por Érica Souza

Jogando papo fora com uma colega e um colega numa mesa de bar, contei que tinha assistido a primeira temporada da série “Coisa Mais Linda” e pareceu-me legal. Logo em seguida minha colega disse que assistiu um dos episódios, confessou que tinha achado “fraco” e “bestinha” o conteúdo da série. O rapaz que estava à mesa conosco confirmou o mesmo e acrescentou: “não fiquei tão empolgado para continuar assistindo”.

De certo, a série ‘Coisa Mais linda’ é para iniciantes no assunto. O conteúdo é de fato para meninas (e também meninos) que querem começar a adentrar nesse debate do feminismo. Por isso nessa coluna resolvi falar um pouco do feminismo para principiantes, que não é menos importante que o feminismo para veteranas (os) e deixar conteúdos de séries, filmes, livros se jogarem e compartilharem.

Para as meninas que ainda estão na fase escolar, a cultura machista afeta de forma direta, não somente sua educação, como também sua inserção no mercado de trabalho. Os dados da pesquisa “#meninapodetudo“, da agência ÉNois, que atua como Escola de Jornalismo diz que mais de 77% das entrevistadas de 14 a 24 anos afirmaram que o machismo atrapalha ou já atrapalhou seu desenvolvimento. Existem maneiras simples de abordar o caminho para emancipação dessas meninas na escola, a partir de atividades que levem elas a questionarem e a compreenderem, desde pequenas, o papel e a importância de cada um/a na sociedade.

Nessa atualidade em que vivemos onde as mídias estão aí para nos oferecerem conteúdos que também nos favorecem, separei alguns materiais que podem contribuir na introdução do feminismo em escolas, igrejas, comunidades ou qualquer outro espaço que seja acessível esse diálogo.

Então vamos para as dicas sem muito spolier

Começo pela série que já citei no início dessa coluna: “Coisa Mais Linda” (2019). Em sua primeira temporada conta história de quatros mulheres no final dos anos 50, com traços, dores e vidas completamente distintas, mas que se aproximam e se identificam por uma mesma razão: ser mulher independentes. Num período onde a discriminação, preconceito e diferenciação de gênero eram ainda mais latentes, as protagonistas Adélia (Pathy de Jesus), Malu (Maria Casadevall), Thereza (Mel Lisboa) e Lígia (Fernanda Vasconcellos), tornam-se apoio e base para que cada uma pudesse seguir sua própria direção como desejavam.

A segunda indicação, assistir ressentimento e indico, é “Bom dia Veronica” (2020). A história é protagonizada pela personagem vivida pela atriz Tainá Müller, uma escrivã da Delegacia de Homicídios em São Paulo que embarca em duas grandes investigações sobre crimes em que as mulheres são as vítimas. Esse trajeto de trabalho da protagonista se dá depois que ela presencia o suicídio de uma mulher vítima de um golpe realizado por um homem que seduz mulheres por meio de um site de relacionamento.

E para completar o time de audiovisual deixo o documentário “Absorvendo o Tabu” (2019). O documentário mostra o cotidiano de uma comunidade rural na Índia. Em Harpur, a primeira menstruação significa que as meninas precisam interromper os estudos. A história conduz ao processo de implementação de uma máquina que fábrica absorventes biodegradáveis. Assim, disponibiliza melhores condições de saúde e a alternativa de oferecer uma nova habilidade para o acesso da independência financeira dessas meninas.

Se tal conteúdo não contempla porque estamos em debate mais aprofundado, mas não mais importante que o debate inicial do feminismo, o ideal seria divulgar para meninas que estão entrando agora no mundo do feminismo e não menosprezar tal conteúdo. Eu poderia ficar por horas aqui citando séries, documentários, filmes que contribuem e enaltecem o poder das meninas que iria contra qualquer forma de diálogo, vivências opressivas dentro e fora de suas casas, escolas e comunidades, mas deixo a opção da busca por conteúdos que nos instigam a fortalecer nosso processo revolucionário nos nossos ambientes de convivência diária, pois o feminismo é um processo revolucionário que beneficia homens e mulheres.

É importante ressaltar a necessidade de compartilhar esses conteúdos, fazer grupos de estudos, debater a relevância do que foi abordado nessas séries, documentários e filmes. Acredito que nossas meninas, estão prontas e seguras para questionar a maneira que está sendo tratadas, julgadas, excluídas…Tornando-se mulheres que desafiam seu tempo e história.

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