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Mary Shelley – A criatura versus criador

por Mulheres para se ler

Enquanto ela, criador, tentava se encontrar em meio ao caos, nascia a criatura que se tornaria, ao longo de muitos e muitos anos, uma das mais famosas da literatura mundial. Ah, mas a criatura não tinha nome! A ela fora dada (erroneamente) o nome de seu criador.

Mary, a princípio, também teve seu nome ocultado daquela que seria a obra mais importante da sua vida, o que era bem comum na época. Mas ao contrário de sua criatura, ela conseguiu ser reconhecida como a criadora de Frankenstein ou o Moderno Prometeu, um livro que, passados mais de 200 anos de sua publicação, ainda gera grande impacto em seus leitores.

O livro traz em toda a sua narrativa, de maneira sutil ou não, algumas questões filosóficas, científicas e morais que levam o leitor a um mergulho nas profundezas do pensamento, da alma e do que seria certo ou errado. Além do constante embate entre o monstro e o homem que o havia criado.

Resenha do Livro: Frankenstein | Darkside Books – Colorindo Nuvens
O livro traz algumas questões filosóficas, científicas e morais (Reprodução)

Mas quem é monstro? Quem é homem? Seria monstro aquele que deu a vida e abandonou? Ou seria homem aquele que aprendeu, forçadamente, a viver em completa solidão, desejando apenas ser amado e compreendido? Shelley, volta e meia, em sua prosa tão fluida e arrebatadora, vai nos levando, as vezes sem perceber (ou não) a esse mesmo questionamento.

O criador não deveria amar e proteger? Já que foi ambicioso o suficiente para criar/dar vida, porque não foi corajoso o suficiente para cuidar de sua criatura? Não deveria lhe ensinar tudo sobre os mistérios da vida, da natureza ou a grandeza do universo? Jamais abandoná-la. E isso deixa marcas.

“Trazia amor e humanidade dentro da alma, antes que viesse a ficar só, miseravelmente só, como agora.”

Então nos deparamos com uma criatura, que após ser rejeitada, vive em constante conflito. Que tenta compreender a vida, a solidão, o abandono, o horror e o que é ser vivo. Já o criador se torna arredio, dramático, e passa a viver em constante medo e arrependimento. É um gênio aprisionado com seus demônios.

A narrativa é densa e melancólica, com alguns pontos de alegria que pouco a pouco vão sendo suplantados pelo medo e pelas fatalidades. A angustia, a aflição e o arrependimento se fazem presentes durante toda a história. É quase impossível não sentir o tormento da criatura, do criador, e também o próprio tormento de Mary Shelley nas entrelinhas… e isso mostra o quanto ela fora brilhante.

Luciele de Carvalho

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