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Estamos vivendo em dissonância cognitiva?

por Lilia Sampaio

Nos últimos meses, nenhum conceito da Psicologia Social fez tanto sentido como a Dissonância Cognitiva. Trata-se de um recurso psicológico em busca de entendimento ou coerência entre a forma que pensamos, agimos e interpretamos o mundo à nossa volta.

Para diminuir nosso sofrimento psíquico, tentamos justificar ou racionalizar nossas atitudes, ideias ou crenças contraditórias recorrendo a mecanismos de defesa, seja através de discurso contra a lógica ou recusa a crer nas evidências.

Nós seres humanos somos incapazes de viver em contradição mental e precisamos nos livrar desse desconforto através da redução da importância do fato ou racionalização. Escolhemos sempre o caminho que requer menos energia e que causa menos estresse emocional.

Quer um exemplo? Quantas pessoas você conhece que fuma e não reconhece os danos que fumar traz a sua saúde? É muito mais fácil desdenhar dos efeitos deletérios do cigarro do que mudar seu comportamento através de atitudes mais conscientes em relação à saúde.

Essa atitude de negação diante da realidade é observada em vários âmbitos de nossa vida, pois a negação é uma estratégia inconsciente que nos ajuda a reduzir a angústia gerada pela contradição e distorção do pensamento, para ajustar nosso sistema de crenças morais, que não funcionariam sem as projeções dissociativas, empregadas para nos fazer engolir a realidade que nos cerca e que tanto nos assusta, pois evidencia o que está errado em nós mesmos, adiando indefinidamente a prova da realidade.

Nesta pandemia, é possível observar que muitas pessoas não respeitam as regras impostas de isolamento social. Por todo lado, observamos pessoas lotando praias, bares e shoppings, enquanto uma parcela cada vez menor continua em quarentena, saindo apenas quando é necessário.

Vale se questionar porque algumas pessoas saem e se colocam em risco, mesmo com tanta informação e medidas propostas pelas autoridades sanitárias com políticas de isolamento social. Será que a humanidade falhou no quesito empatia? Ou será estamos vivendo uma pandemia de dissonância cognitiva paralela à de coronavírus?

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