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Com quem os gatos ficavam?

por Mulheres para se ler
Patti Smith é a nossa indicação de mulher para ser ler da vez

Linha M. M de “Mu”. M de nada. M do sonho real. A inicial de Wonderful, quem sabe?… No mundo onírico temos que ler com os pés no firmamento. As anotações de Patti Smith – talentosas – impuseram que eu escrevesse as minhas – necessárias. Como quando acordamos de manhã tentando recuperar o fio da meada tecida pelo inconsciente noturno.

O café, os ídolos, as fotos, os esquecimentos persistentes, o constante revolver do passado, a curiosidade ocidental pelo oriente, a excentricidade simples e honesta. No livro “Linha M”, de Patricia Lee Smith, tudo leva a crer que há ali algo de todos, qualquer um(a). Demasiadamente, demasiadamente humana. E, como dá medo do fim! Como dá medo ter certeza que ele chega rápido demais. Essa linha é vertiginosa; e as páginas do livro passam aceleradas através do magnetismo emitido pela vida de Patti ou Patrick ou Trisha.

Linha M, de Patti Smith - Frases Perdidas
A obra narra as memórias da autora

Hipnótica, a condução da história se desloca como um pêndulo. Sim, eu montaria um café. Sim, eu mudaria tudo pra viver o grande amor. Sim, meu catolicismo e crucifixo etíope. Sim, meu Natal sem esperança assistindo filmes sozinha no cinema. De repente, surge a dúvida que desperta do transe empático: no meio de tantas viagens, com quem ficavam os gatos? É admissível imaginar que imitavam Patti e seguiam seu deixar ir, deixar partir. Eles e ela, animais noturnos, soberanos e livres.

Música, mimesis, mulher. Um jogo infinito de possibilidades, ainda que haja um fim oculto – ainda que se fique muito velho para a amarelinha: sem escusas, ela É. Possivelmente, o liame do livro seja a “investigação poética”, vestígios dos dias enfurnados vendo detetives em séries de TV. Provavelmente, minha pergunta sobre a fortuna dos felinos veio da vontade de saber quem realmente está do outro lado da Linha. O contágio da descoberta foi tramado página a página. Dar um ponto, um nó, eis a lida dessa pergunta, eis o desejo desse texto.

Clique na entrevista de Patti Smith concedida à Revista Veja.

Glenda Moreira

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