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Meninas não amadurecem mais rápido, elas são erotizadas!

por Érica Souza

Nos últimos três textos que fiz para a coluna de colaboradores/as do Portal Assobiar, pautei a questão das resistências-femininas em que as mulheres cuidam e protegem de suas comunidades lidando com diversos tipos de violações, mas também falei sobre a mulher que resiste por meio da literatura em seus diversos conceitos.  

Mas, nesta coluna irei apresentar rascunhos de um artigo que produzi para uma disciplina do meu tempo de mestranda. Escolhi falar sobre a erotização dos corpos das meninas já que o corpo da mulher ao longo da história aparece com uma representação totalmente hipersexualizada e objetificada. Essa cultura, no conjunto geral, persiste fazendo com que a mulher seja cenário de negação traçado de um conjunto de estereótipos. 

As meninas na fase da adolescência em seu processo de formação pessoal e que está aprendendo a lidar com suas emoções perante a sociedade são “alvo” fácil para as armadilhas do domínio masculino. Por um poder acionado pela sociedade que reproduz e produz mais opressão e dependência fragilizando essa fase da vida. 

No campo da sexualidade, apareceram novos traços de prática do prazer e de experiência de um legado através das informações. O ato da pedofilia e assédio sexual continua no seu lugar de exercício, exposição e proliferação.  Mas talvez seja interessante perguntar “quais as estruturas que têm dado abertura de divisas entre idade adulta, adolescência e infância?” Há relação entre mídia e erotização precoce? São perguntas conflituosas que precisa de tempo e paciência para trazer respostas um tanto obvias, mas que nem sempre serão de fato aceitas.

É preciso ter um olhar atento, o que tem sucedido nos últimos anos é a aceleração desse processo e, consequentemente, destruição precoce da infância devido à erotização dos corpos das meninas. Os motivos para esse acontecimento se encontram com frequência na sexualização presente na publicidade infantil e na maneira como, sobretudo, jovens meninas são expostas na mídia. Desse modo, com a sociedade e seus padrões de beleza definidos, se estende até o universo infantil, e pode ser entendido melhor pela pesquisa realizada por Sarah Murnen, uma psicóloga social do Kenyon College em Ohio, nos Estados Unidos, “que descobriu que 30% das roupas infantis nas principais lojas de departamento americanas tinham características de sexualização”.

Portanto, refletindo nas pedagogias produzidas em volta da sexualidade na perspectiva da concepção de que a educação advém de uma multiplicidade de locais sociais como a própria família, o ambiente escolar, e que as pedagogias culturais lançam informações e ensinam formas de ser e permanecer no mundo. Entretanto, é preciso ampliar esse diálogo em casa e no ambiente escolar (sobretudo na construção de saberes dos profissionais da educação), assim como em inúmeros campos do conhecimento que, muitas das vezes se deparam com assuntos envolta da sexualidade e das relações de gênero, pois estão também interligadas nas relações de poder. 

E para tornar o debate provocativo trazendo pontos pertinentes, deixo links de trailer de filmes e produção literária para refletir sobre os corpos das meninas e na falácia de que “você é mais madura que as outras meninas da sua idade”.

Indicações para entender melhor a temática:

Cuties | Official Trailer | Netflix (2020):

Trailer Filme – Leon, O Profissional (1994)

Livro Lolita de (1955) Vladimir Nabokov

Imegem ilustrativa retirada do site Enjoei.com.br

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1 comentário

Daiana Araújo 25 de setembro de 2020 - 23:08

Ótimo artigo Érica e de extrema relevância para a sociedade, e espero que continue expondo as manchas de um povo hipócrita que quase sempre endeusa os homens e fragiliza as mulheres. Que nosso voz nunca se cale! PARABÉNS!

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