Neste mês dedicado à campanha Setembro Amarelo, de prevenção ao suicídio e valorização da vida, trago ao Portal Assobiar uma reflexão importante sobre o ambiente de trabalho. O local de trabalho não é apenas um espaço de produtividade: também deve assumir parte da responsabilidade pela saúde mental de seus colaboradores.
Acredito que muitas das situações que vivemos têm o poder de despertar nos outros a consciência sobre a importância de observar e valorizar esses sinais. Por isso, neste mês decidi compartilhar uma experiência profissional que, naquele momento, me levou a buscar apoio e compreender melhor os impactos da saúde emocional no trabalho.
Em um dos lugares em que trabalhei, mesmo existindo diversas ações voltadas para o cuidado com a saúde mental dos colaboradores, o número de casos de depressão e afastamentos continuava aumentando. Talvez porque, à medida que algumas iniciativas eram criadas, também cresciam as pressões do dia a dia, e muitas pessoas, sem saber lidar com essas situações, acabavam adoecendo sem perceber.
No meu caso, bastava entrar na empresa para que meu corpo começasse a reagir. Surgiam manchas e coceiras que só cessavam com o uso de medicamentos. Em alguns momentos, a irritação era tão intensa que chegava a ferir a pele, melhorando apenas quando eu voltava para casa. No início, pensei que pudesse ser alergia a roupas, perfumes ou produtos de limpeza, mas logo percebi que não se tratava disso.
Entendi que minha mente já estava tão cansada que o corpo passou a manifestar o peso da ansiedade e do estresse que eu carregava. Mesmo que a empresa tivesse, aparentemente, ações de cuidado, o ambiente continuava adoecedor. A sobrecarga emocional, a tensão e as frustrações que eu acumulava no trabalho se refletiam fisicamente. Somente com o tempo e, principalmente, com a ajuda psicológica, consegui compreender como eu estava adoecendo e a importância de cuidar da minha saúde mental. E você, já parou para perceber como seu corpo reage ao estresse e à ansiedade do dia a dia?
Setembro, um mês dedicado aos cuidados mentais, fica ainda mais evidente como alguns ambientes profissionais continuam sendo adoecedores. Pior ainda é perceber que, muitas vezes, os sintomas dos colaboradores são tratados como “bobagens”, quando, na verdade, representam alertas que não podem ser ignorados.
Como destaca uma reportagem do G1: “O Brasil vive uma crise de saúde mental com impacto direto na vida de trabalhadores e de empresas. É o que revelam dados exclusivos do Ministério da Previdência Social sobre afastamentos do trabalho. Em 2024, foram quase meio milhão de afastamentos, o maior número em pelo menos dez anos” (G1, 2025).
Com base nesses dados, percebemos que falar sobre prevenção ao suicídio dentro das organizações, não pode mais ser tratado como um tabu. Ainda mais em uma geração que, muitas vezes, prefere guardar suas ansiedades e medos em silêncio do que compartilhar com alguém no trabalho, na faculdade ou na escola. Saber que tantas pessoas estão adoecendo e que muitas empresas ainda não tratam esse tema como um ponto de atenção e cuidado é, no mínimo, preocupante.
Falar sobre saúde mental é, acima de tudo, um ato de cuidado e humanidade. Como profissional, é fundamental termos momentos de escuta e acolhimento dentro das empresas, buscando sempre compreender a dor do outro como uma forma de empatia e apoio.
Quando empresas, escolas e instituições entendem que a vida deve estar no centro de qualquer estratégia, elas criam ambientes mais acolhedores, capazes de prevenir sofrimentos silenciosos. Que possamos, não apenas em setembro, mas todos os dias, escolher valorizar a vida dentro e fora de qualquer organização. Nenhum trabalho vale o seu adoecimento mental. Procure ajuda, cuide de você e lembre-se: sua vida importa.
Sou formada em Administração e atualmente pós-graduanda em Gestão de Pessoas e Desenvolvimento de Equipes, com foco em áreas essenciais como gestão de negócios, empreendedorismo e processos administrativos. Nesta coluna do Portal Assobiar, meu objetivo é compartilhar insights sobre como fortalecer equipes e tornar as organizações mais consistentes e eficientes. Além disso, estou cursando MBA em Gestão da Inovação, trazendo uma visão atualizada sobre inovação e competitividade no mundo empresarial, sempre priorizando a saúde mental e promovendo uma abordagem mais saudável e compassiva nas organizações.


