Este mês, escolhi ressignificar minha primeira experiência profissional — um começo desafiador, mas fundamental para minha trajetória.
Tudo começou com um curso profissionalizante de Assistente Administrativo no SENAI de Açailândia. Ao final, os alunos participavam de um estágio de três meses, com chance de efetivação. “Depende só de você”, me disseram — e levei isso a sério.
Iniciei o estágio pelo programa do Governo “Meu primeiro emprego”, com o objetivo de juntar dinheiro para uma viagem. No entanto, o “Meu primeiro emprego” me trouxe muito mais: nasceu ali meu interesse pela Administração.
Fui estagiar em uma loja conhecida da cidade. Lá, aprendi na prática sobre atendimento, vendas, proatividade e relacionamento com o público. Mas o processo foi exigente. Ainda inexperiente e tímida, recebi uma cobrança dura logo no início:
“Se tu não melhorar, vou te trocar.”
A partir daquele momento, decidi me dedicar mais. Dias e meses se passaram e eu obtive bons resultados, fidelizei clientes e fui efetivada, chegando à função de gerente.
Apesar disso, a empresa passava por dificuldades de gestão. A alta rotatividade era constante, e situações desconfortáveis também faziam parte da rotina. Uma delas foi a exigência de usar, durante a limpeza, uma essência com cheiro extremamente forte — comparável ao de sangue menstrual. Com o tempo, entendi que fazia parte das crenças pessoais da proprietária. Quando eu deixava de usar, era repreendida com frases como:
“Nunca deixe de passar isso aqui, menina!”
Essa vivência me fez refletir sobre como, em muitos ambientes, colaboradores ainda são pressionados a se adequar a práticas sem vínculo com a função — muitas vezes para não perder o emprego.
Apesar dos desafios, escolhi levar comigo os aprendizados. Aquela experiência me ensinou sobre limites, postura profissional e adaptação. Foi a base que me impulsionou a crescer.
Hoje, atuo na área da Administração, com foco em gestão e desenvolvimento de pessoas. Meu propósito é justamente o oposto do que vivi lá atrás: construir ambientes mais humanos, éticos e respeitosos.
O primeiro emprego nem sempre é fácil, mas pode nos transformar. Tudo depende do que escolhemos aprender com ele. Para os jovens que estão dando os primeiros passos agora, o mais importante é manter a mente aberta, aprender com os desafios e lembrar que cada experiência, por mais difícil que pareça, pode ser uma ponte para te direcionar a algo bem maior.
Sou formada em Administração e atualmente pós-graduanda em Gestão de Pessoas e Desenvolvimento de Equipes, com foco em áreas essenciais como gestão de negócios, empreendedorismo e processos administrativos. Nesta coluna do Portal Assobiar, meu objetivo é compartilhar insights sobre como fortalecer equipes e tornar as organizações mais consistentes e eficientes. Além disso, estou cursando MBA em Gestão da Inovação, trazendo uma visão atualizada sobre inovação e competitividade no mundo empresarial, sempre priorizando a saúde mental e promovendo uma abordagem mais saudável e compassiva nas organizações.


