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Já tinha mulher escrevendo sobre a autoemancipação do proletariado antes de karl Marx?

por Érica Souza

A classe operária tem dois sexos, já dizia Helena Hirata e Daniele kergoat. Nos seus breves 41 anos de vida, militância, obra e o desejo de reconhecimento, Flora Tristán, de origem Peruana e hispânica, nasceu em Paris no dia 07 de abril de 1803, mãe de 3 filhos e com sua natureza orgulhosa e questionadora rejeitou um marido possessivo, encontrando em meio sua personalidade carregada de resistências, a necessidade de lutar sozinha e arcar com as despesas de sua família.

Talvez pelo fato de Flora ser mulher, sem marido e com 3 crianças para criar foi vítima de preconceito que lhe custou muitas portas fechadas. Trabalhou como operária por anos, mas com o apoio de Madame de Stael, aos poucos foi se afirmando como “mulher de letras”.

Em 1843, lança sua obra ‘A União Operária’, que a consagrou. Assim ficou próxima dos socialistas utópicos, mas não pertenceu a nenhum dos círculos utopistas, o interesse maior de Tristán se dirigiu àqueles que se identificavam como classe operária.

Flora Tristán, em 1839. (Foto: Google Imagens)

Flora Tristán vivenciou as amplas mudanças da sociedade francesa em meados do século 19, na qual a mulher não tinha um lugar bem acentuado. Embora já circulava pela França os ideais feministas desde Christine de Pisan, no século 15, apenas depois da Revolução Francesa, quando teve mudanças nos direitos políticos dos homens, que as mulheres começam a exigi-los para elas mesmas.

Mas a pergunta que não quer calar: Flora Tristán já falava da autoemacipação do proletariado antes de Karl Marx? Sim! mas não necessariamente com essas palavras. Em sua obra União Operária ela diz “É muito importante que os operários compreendam bem a diferença entre a União Operária, cuja ideia concebi, e o que existe hoje sob título de Associação de solidariedade, União e Ajuda mútua etc.”

Tristán destaca ainda que “Assim como suas sociedades particulares da maneira como estão estabelecidas desde o rei Salomão até hoje, em cinquenta séculos a situação material e moral da classe operária não terá mudado: ao operário caberá sempre a MISÉRIA, a IGNORÂNCIA e a ESCRAVIDÃO, mesmo que varie a forma ou mude o nome com que se chamam os escravos.”

Outro detalhe que faz o livro de Flora Tristán um tanto “profético”, é quando debate a tal libertação das mulheres, por mais que Flora não fale autoemancipação com todas as palavras, ela demanda aos operários que se libertem e libertem também as mulheres.

Em sua caminhada literário, Flora Tristán e seu engajamento total em prol das mulheres e dos trabalhadores formam, sem dúvida, um encadeamento lógico e coeso dos ideais de luta pela justiça social que cresceu durante toda sua jornada.

Saiba mais quem foi Flora Tristán.

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1 comentário

Pedro Arthur Silva Figueiredo 10 de setembro de 2020 - 21:37

Interessante como a luta do povo vem de muito tempo, não é algo de agora como muitos pensam. Mais legal ainda saber que a voz feminina já buscava ser ouvida desde sempre. O texto está muito bom.

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